paracentese
Resumo
A paracentese é um procedimento percutâneo para aspirar líquido da cavidade peritoneal, usado tanto com finalidade diagnóstica (para caracterizar o líquido ascítico) quanto terapêutica (para aliviar os sintomas da ascite de grande volume). É essencial na investigação de ascite de início recente e no diagnóstico/monitoramento da peritonite bacteriana espontânea (PBE).
Detalhes
A paracentese consiste na inserção de uma agulha ou cateter através da parede abdominal até a cavidade peritoneal, tipicamente no quadrante inferior esquerdo (ponto de Lemoine) ou em local infraumbilical na linha média, evitando os vasos epigástricos inferiores e a bainha do músculo reto do abdome. A orientação por ultrassonografia aumenta a segurança e reduz as complicações.
A paracentese diagnóstica é indicada em qualquer paciente com ascite de início recente, ou em pacientes cirróticos hospitalizados com ascite, para descartar PBE. A análise do líquido inclui contagem de células com diferencial, albumina (para calcular o gradiente de albumina soro-ascite, GASA), proteína total, cultura e, às vezes, citologia, amilase ou triglicerídeos, dependendo da etiologia suspeita. GASA ≥1,1 g/dL sugere hipertensão portal (p. ex., cirrose, insuficiência cardíaca), enquanto GASA <1,1 g/dL sugere outras causas (p. ex., neoplasia, tuberculose, síndrome nefrótica). Uma contagem absoluta de neutrófilos no líquido ascítico ≥250 células/mm³ é diagnóstica de PBE, causada com mais frequência por E. coli, Klebsiella e espécies de Streptococcus, e tratada com cefalosporinas de terceira geração (p. ex., cefotaxima).
A paracentese terapêutica (de grande volume) é realizada para aliviar os sintomas da ascite tensa, como desconforto abdominal, saciedade precoce ou comprometimento respiratório. Quando mais de 5 litros são removidos, recomenda-se a infusão de albumina (6-8 g por litro removido) para prevenir a disfunção circulatória pós-paracentese, que pode levar a insuficiência renal e hiponatremia devido a uma queda rápida da pressão oncótica intravascular e do volume arterial efetivo.
As complicações incluem sangramento (raro, mesmo na coagulopatia — a correção de INR/plaquetas geralmente não é necessária de forma profilática), perfuração intestinal, infecção e extravasamento persistente de líquido ascítico. As contraindicações são relativas e incluem coagulopatia grave, obstrução intestinal ou infecção no local da punção.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- UpToDate: Diagnostic and therapeutic abdominal paracentesis
- Harrison's Principles of Internal Medicine
- Sabiston Textbook of Surgery
Material de estudo, não aconselhamento médico. Encontrou um erro? Use “Reportar” no complemento ou fale conosco.