Pular para o conteúdo

pedicelos dos podócitos

Nefrologia/Patologia renalRenal/Sistema urinário

Resumo

Os pedicelos dos podócitos são extensões interdigitadas das células epiteliais glomerulares que envolvem os capilares glomerulares, formando a barreira final de filtração junto com o endotélio fenestrado e a membrana basal glomerular (MBG). Os diafragmas de fenda entre pedicelos adjacentes, compostos por proteínas como nefrina e podocina, restringem a passagem de grandes proteínas plasmáticas, como a albumina. O apagamento (achatamento) dos pedicelos é uma característica marcante da doença de lesões mínimas e de outras podocitopatias, correlacionando-se com a proteinúria.

Detalhes

Os podócitos são células epiteliais viscerais do glomérulo, especializadas e terminalmente diferenciadas. Seus corpos celulares dão origem a processos primários que se ramificam em pedicelos secundários, que se interdigitam com os pedicelos de podócitos vizinhos para envolver as alças dos capilares glomerulares. Os espaços entre os pedicelos interdigitados são vencidos pelos diafragmas de fenda, junções célula-célula especializadas compostas por nefrina, podocina, proteína associada ao CD2 (CD2AP) e outras proteínas, que formam um filtro seletivo por tamanho e carga. Junto com o endotélio glomerular fenestrado e a membrana basal glomerular (MBG), os pedicelos e os diafragmas de fenda constituem a barreira de filtração glomerular de três camadas, que impede a perda de albumina e de outras grandes proteínas plasmáticas na urina, ao mesmo tempo que permite a passagem de água, íons e pequenos solutos. O citoesqueleto de actina dentro dos pedicelos é fundamental para manter sua estrutura; mutações nos genes que codificam a nefrina (NPHS1), a podocina (NPHS2) ou proteínas reguladoras da actina (p. ex., ACTN4) causam síndromes nefróticas congênitas ou familiares. A lesão podocitária, de causa imune, tóxica, metabólica ou genética, leva ao apagamento (achatamento/fusão) dos pedicelos, mais bem visualizado à microscopia eletrônica, o que rompe o diafragma de fenda e permite a proteinúria. Esse é o achado clássico na doença de lesões mínimas (apagamento difuso, microscopia óptica normal, responsiva a corticoides) e também é observado na glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) e na nefropatia membranosa (com alterações adicionais da MBG). Como os podócitos têm capacidade regenerativa limitada, a lesão grave ou crônica pode levar à perda de podócitos, glomeruloesclerose e doença renal progressiva. Clinicamente, o apagamento dos pedicelos correlaciona-se com proteinúria em faixa nefrótica (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, a tétrade clássica da síndrome nefrótica. Compreender a biologia dos podócitos é essencial para interpretar biópsias renais e entender a patogênese das síndromes nefróticas no USMLE Step 1 e Step 2.

Fontes

  • Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease, 10th ed.
  • First Aid for the USMLE Step 1, 2023
  • Brenner and Rector's The Kidney, 11th ed.
  • Sabatine's Pocket Medicine

Material de estudo, não aconselhamento médico. Encontrou um erro? Use “Reportar” no complemento ou fale conosco.

pedicelos dos podócitos: glossário médico | Medusa