procalcitonina
Resumo
A procalcitonina (PCT) é um peptídeo precursor da calcitonina que aumenta de forma significativa durante infecções bacterianas, especialmente infecções bacterianas sistêmicas graves, como a sepse. É usada clinicamente para ajudar a diferenciar causas bacterianas de causas virais/não bacterianas de infecção e para orientar decisões sobre antibioticoterapia. Os níveis geralmente aumentam em 3 a 6 horas após o início da infecção bacteriana e se correlacionam com a gravidade.
Detalhes
A procalcitonina é normalmente produzida pelas células C da tireoide como precursora da calcitonina, mas, durante a infecção bacteriana, é produzida por muitos tecidos extratireoidianos (fígado, pulmões, adipócitos, monócitos) em resposta a endotoxinas bacterianas e citocinas inflamatórias (IL-6, TNF-alfa, IL-1beta). Diferentemente da calcitonina, essa PCT induzida pela infecção não é clivada em calcitonina ativa e se acumula no soro. O interferon-gama (liberado durante infecções virais) suprime a produção de PCT, o que explica por que a PCT aumenta preferencialmente em infecções bacterianas, e não virais, tornando-a mais específica que a PCR para etiologia bacteriana. Os usos clínicos incluem: (1) Diagnóstico de sepse e avaliação de gravidade: os níveis frequentemente se correlacionam com a extensão da infecção bacteriana e podem ajudar a distinguir a sepse da SIRS de origem não infecciosa; (2) Gerenciamento do uso de antibióticos (antibiotic stewardship): medidas seriadas de PCT podem orientar a decisão de iniciar, manter ou suspender antibióticos, particularmente em infecções do trato respiratório e em ambientes de UTI (com base em algoritmos guiados por PCT estudados em ensaios como ProHOSP e ProACT); (3) Prognóstico: níveis de PCT persistentemente elevados ou em ascensão sugerem mau prognóstico ou falha do tratamento. Os níveis normais são tipicamente <0,05 ng/mL; níveis >0,5 ng/mL sugerem possível infecção bacteriana, e níveis >2 ng/mL sugerem alta probabilidade de infecção bacteriana grave/sepse. As limitações incluem elevações falsas em trauma, cirurgia de grande porte, queimaduras, choque cardiogênico e certos cânceres (carcinoma medular da tireoide, carcinoma pulmonar de pequenas células), bem como falsos negativos em infecções localizadas sem comprometimento sistêmico. Deve ser interpretada no contexto clínico, junto com outros marcadores (PCR, leucócitos, lactato), e não como um exame diagnóstico isolado.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- UpToDate: Procalcitonin as a biomarker
- Harrison's Principles of Internal Medicine
- Surviving Sepsis Campaign Guidelines
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