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zona 2

Cirurgia do trauma / AnatomiaCardiovascularRespiratórioGastrointestinalSistema nervosoMusculoesquelético (anatomia do pescoço)

Resumo

A zona 2 do pescoço é a região anatômica que se estende da cartilagem cricóidea até o ângulo da mandíbula. É a zona mais comumente lesada no trauma penetrante de pescoço e é peculiar por ser cirurgicamente acessível, permitindo exploração direta quando indicada.

Detalhes

O trauma penetrante de pescoço é classicamente dividido em três zonas com base em marcos anatômicos, que historicamente orientaram as decisões de manejo:

- Zona 1: Estende-se das clavículas/incisura esternal até a cartilagem cricóidea. Contém os grandes vasos (artérias carótidas proximais, vasos subclávios, vasos braquiocefálicos), traqueia, esôfago, ducto torácico e ápices pulmonares. As lesões nessa zona estão associadas à maior mortalidade devido ao acesso cirúrgico difícil e ao potencial de lesão vascular/mediastinal importante; frequentemente requer angiografia e possivelmente esternotomia.

- Zona 2: Estende-se da cartilagem cricóidea até o ângulo da mandíbula. Contém as artérias carótidas, veias jugulares, laringe, traqueia, esôfago e nervo vago. Essa zona é a mais comumente lesada devido à sua extensão e à relativa falta de proteção óssea. Por ser facilmente acessível cirurgicamente, o manejo tradicional favorecia a exploração cirúrgica obrigatória nas lesões penetrantes que ultrapassam o platisma; entretanto, a prática moderna passou a adotar um manejo seletivo baseado em sinais maiores (hard signs) versus sinais menores (soft signs) de lesão vascular/aerodigestiva, usando a angiotomografia para orientar a decisão entre observação, exames de imagem adicionais ou exploração cirúrgica.

- Zona 3: Estende-se do ângulo da mandíbula até a base do crânio. Contém as artérias carótida distal e vertebral, estruturas salivares e faríngeas. O acesso cirúrgico é difícil devido à mandíbula; as lesões frequentemente requerem embolização angiográfica ou manejo endovascular em vez de cirurgia aberta.

Importância clínica: Sinais maiores de lesão vascular (sangramento pulsátil, hematoma em expansão, sopro/frêmito, ausência de pulsos distais, sinais de isquemia cerebral) ou de lesão aerodigestiva (bolhas de ar pela ferida, hemoptise, disfagia, enfisema subcutâneo, estridor) exigem exploração cirúrgica imediata, independentemente da zona. Em pacientes hemodinamicamente estáveis sem sinais maiores, a angiotomografia é o método diagnóstico inicial de escolha em todas as zonas, refletindo o afastamento de protocolos rígidos de exploração obrigatória baseados em zonas (abordagem "sem zonas", "no-zone") em muitos centros de trauma.

Fontes

  • UpToDate: Neck trauma: Evaluation and management
  • Tintinalli's Emergency Medicine: A Comprehensive Study Guide
  • Schwartz's Principles of Surgery
  • ATLS (Advanced Trauma Life Support) Student Course Manual

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