Retinopatia hipertensiva
Resumo
A retinopatia hipertensiva refere-se à lesão vascular da retina causada por hipertensão crônica ou aguda grave. Os achados na fundoscopia incluem estreitamento arteriolar, cruzamento arteriovenoso patológico (AV nicking), manchas algodonosas, hemorragias em chama de vela e, nos casos graves/malignos, papiledema. É um achado de exame físico importante, cobrado tanto no diagnóstico quanto na graduação da lesão de órgão-alvo da hipertensão.
Detalhes
A retinopatia hipertensiva resulta da pressão arterial cronicamente elevada, que causa arteriolosclerose e, na hipertensão aguda grave, ruptura da barreira hematorretiniana. A fisiopatologia envolve duas fases: (1) fase vasoconstritora/esclerótica - a HAS crônica causa estreitamento arteriolar (focal ou generalizado), cruzamento arteriovenoso patológico (AV nicking; alterações no cruzamento arteriovenoso devido à compressão das vênulas por arteríolas escleróticas) e fios de cobre/prata (espessamento da parede arteriolar); (2) fase exsudativa - observada na hipertensão grave ou maligna, causando ruptura da barreira hematorretiniana, com hemorragias em chama de vela (superficiais), manchas algodonosas (microinfartos da camada de fibras nervosas por isquemia), exsudatos duros (deposição de lipídios, às vezes formando uma estrela macular) e papiledema (edema do disco óptico) na hipertensão maligna/emergência hipertensiva, indicando pressão intracraniana elevada ou isquemia grave.
A classificação de Keith-Wagener-Barker gradua a gravidade: - Grau I: estreitamento arteriolar leve - Grau II: estreitamento moderado + cruzamento arteriovenoso patológico (AV nicking) - Grau III: grau II + hemorragias, manchas algodonosas, exsudatos - Grau IV: grau III + papiledema (hipertensão maligna)
Significado clínico: a retinopatia hipertensiva é um marcador de lesão vascular sistêmica e se correlaciona com lesão em outros órgãos (rins, coração, cérebro). Alterações de grau III-IV, especialmente o papiledema, indicam emergência hipertensiva que exige tratamento imediato para redução da PA. É importante diferenciá-la da retinopatia diabética, que apresenta microaneurismas e neovascularização, embora ambas possam coexistir e as manchas algodonosas/hemorragias possam se sobrepor. O exame de fundo de olho é essencial na investigação de urgência/emergência hipertensiva e no acompanhamento longitudinal de pacientes hipertensos crônicos.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Vaughan & Asbury's General Ophthalmology
- UpToDate: Hypertensive retinopathy
- Harrison's Principles of Internal Medicine
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