feedback tubuloglomerular
Resumo
O feedback tubuloglomerular (FTG) é um mecanismo intrínseco de autorregulação renal que mantém a TFG constante ao ajustar o tônus da arteríola aferente com base na concentração de NaCl detectada pela mácula densa no túbulo distal. O aumento da oferta distal de NaCl desencadeia vasoconstrição da arteríola aferente, reduzindo a TFG; a diminuição da oferta causa vasodilatação, aumentando a TFG. Este é um dos dois principais mecanismos (junto com a autorregulação miogênica) responsáveis pela autorregulação do fluxo sanguíneo renal e da TFG.
Detalhes
O feedback tubuloglomerular é uma alça de feedback negativo que envolve o aparelho justaglomerular (AJG), constituído pelas células da mácula densa (epitélio especializado do túbulo distal), pelas células mesangiais extraglomerulares e pelas células granulares (justaglomerulares) da arteríola aferente. A mácula densa detecta a concentração de NaCl (especificamente Cl-) que chega ao início do túbulo contorcido distal por meio do cotransportador Na-K-2Cl (NKCC2).
Mecanismo: quando a TFG aumenta (p. ex., por aumento da pressão de perfusão renal), mais NaCl chega ao túbulo distal, pois há menos tempo para reabsorção no túbulo proximal e na alça de Henle. A mácula densa detecta esse aumento de NaCl/Cl- via NKCC2, desencadeando a liberação de ATP e adenosina, que causam vasoconstrição da arteríola aferente, diminuindo assim a TFG de volta ao normal. A adenosina atua nos receptores A1 do músculo liso da arteríola aferente, causando vasoconstrição (incomum, já que a adenosina geralmente causa vasodilatação em outros locais).
Inversamente, quando a TFG diminui, menos NaCl chega à mácula densa, levando à redução da liberação de adenosina/ATP e à vasodilatação da arteríola aferente, bem como à liberação de renina pelas células granulares (o que aumenta a angiotensina II, causando vasoconstrição da arteríola eferente), ambas atuando para restaurar a TFG.
Significado clínico: - Os AINEs atenuam esse e outros mecanismos de autorregulação renal ao inibir as prostaglandinas, o que pode precipitar lesão renal aguda, especialmente em estados de depleção de volume ou com uso concomitante de inibidor da ECA. - Os diuréticos de alça (p. ex., furosemida) inibem o NKCC2 na mácula densa, atenuando o FTG e explicando por que os diuréticos de alça aumentam a liberação de renina. - Esse mecanismo é importante para compreender a autorregulação renal no contexto de hipertensão, nefropatia diabética e nefrotoxicidade induzida por fármacos. - O FTG atua junto com a autorregulação miogênica para manter a TFG relativamente constante em uma faixa de pressões arteriais médias (80-180 mmHg).
Fontes
- Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology
- BRS Physiology
- First Aid for the USMLE Step 1
- Costanzo Physiology
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