tripsina
Resumo
A tripsina é uma serinoprotease secretada pelas células acinares pancreáticas na forma de tripsinogênio inativo, que é ativado pela enteropeptidase (enteroquinase) na borda em escova do duodeno. Ela cliva ligações peptídicas no lado carboxila de resíduos de lisina e arginina, desempenhando papel fundamental na digestão de proteínas e na ativação de outros zimogênios pancreáticos (quimotripsinogênio, proelastase, procarboxipeptidase).
Detalhes
A tripsina é sintetizada nas células acinares pancreáticas como o zimogênio tripsinogênio, armazenada em grânulos de zimogênio e secretada no duodeno pelo ducto pancreático. A enteropeptidase (enteroquinase), localizada na borda em escova do duodeno, cliva o tripsinogênio para formar a tripsina ativa. A tripsina então ativa de forma autocatalítica mais tripsinogênio e também ativa outras pró-enzimas pancreáticas (quimotripsinogênio em quimotripsina, proelastase em elastase e procarboxipeptidase em carboxipeptidase), o que a torna a principal ativadora da cascata de enzimas digestivas pancreáticas.
Do ponto de vista mecanístico, a tripsina é uma serinoprotease com tríade catalítica (His57, Asp102, Ser195) que hidrolisa ligações peptídicas especificamente após resíduos de lisina ou arginina, contribuindo para a degradação das proteínas da dieta em oligopeptídeos e aminoácidos para absorção.
Importância clínica: a ativação prematura do tripsinogênio dentro do pâncreas (devido a mutações genéticas, cálculos biliares, álcool ou outras agressões) leva à autodigestão do tecido pancreático e à pancreatite aguda. Mutações do gene PRSS1 causam pancreatite hereditária ao tornar o tripsinogênio resistente à inativação ou mais facilmente autoativado. Mutações de SPINK1 (um inibidor da tripsina) e de CFTR também estão associadas à pancreatite crônica, por prejudicarem a proteção contra a ativação prematura da tripsina. A atividade da tripsina é medida indiretamente em alguns testes de função pancreática. Os níveis fecais de elastase e de tripsina podem ser usados para avaliar a insuficiência pancreática exócrina (p. ex., na fibrose cística). Em contextos laboratoriais e clínicos, a tripsina também é usada para destacar células aderentes em cultura de tecidos e é um componente de algumas terapias de reposição de enzimas digestivas para insuficiência pancreática.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology
- Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease
- Lippincott Biochemistry
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