repolarização
Resumo
A repolarização é a fase do potencial de ação cardíaco (ou neuronal) durante a qual o potencial de membrana retorna ao seu valor negativo de repouso após a despolarização, principalmente por efluxo de íons potássio. No coração, a repolarização ventricular corresponde à onda T no ECG. Anormalidades da repolarização estão na base de muitas arritmias, incluindo a síndrome do QT longo e a Torsades de Pointes.
Detalhes
Nos miócitos cardíacos, o potencial de ação tem 5 fases (0-4). A fase 0 é a despolarização rápida devida ao influxo rápido de Na+. As fases 1-3 constituem a repolarização: a fase 1 é a repolarização rápida inicial, decorrente do efluxo transitório de K+ (Ito) e da inativação dos canais de Na+; a fase 2 é o platô, em que o influxo de Ca2+ pelos canais de cálcio do tipo L equilibra o efluxo de K+, mantendo a despolarização prolongada, fundamental para o acoplamento excitação-contração e para evitar o tétano; a fase 3 é a repolarização rápida devida ao aumento do efluxo de K+ (via IKr e IKs, os canais retificadores tardios rápido e lento) à medida que os canais de Ca2+ se fecham, devolvendo o potencial de membrana ao nível de repouso (~-90 mV). A fase 4 é o potencial de membrana de repouso, mantido pela Na+/K+ ATPase e pelas correntes de K+ de fundo (IK1) nas células ventriculares, ou pela despolarização espontânea nas células marca-passo (corrente "funny", If). No ECG de superfície, a repolarização ventricular é representada pela onda T, enquanto a repolarização atrial costuma ficar oculta no complexo QRS. O intervalo QT reflete a duração total da despolarização e da repolarização ventriculares. A repolarização é muito sensível a distúrbios eletrolíticos e a fármacos: a hipocalemia prolonga a repolarização (ondas T alargadas, ondas U, risco de Torsades de Pointes), a hipercalemia encurta a repolarização, mas causa ondas T apiculadas, e fármacos que bloqueiam o IKr (antiarrítmicos da classe III, como sotalol e amiodarona, e muitos fármacos não cardíacos, como certos antibióticos e antipsicóticos) podem prolongar o intervalo QT, aumentando o risco de arritmia. As síndromes do QT longo congênitas (p. ex., LQT1-KCNQ1, LQT2-KCNH1/HERG, LQT3-SCN5A) resultam de mutações em canais iônicos que controlam as correntes de repolarização, predispondo à morte súbita cardíaca por taquicardia ventricular polimórfica (Torsades de Pointes). Nos neurônios, a repolarização segue a despolarização devido à abertura de canais de K+ dependentes de voltagem e à inativação dos canais de Na+, restaurando o potencial de membrana de repouso e permitindo o período refratário, que garante a propagação unidirecional do potencial de ação.
Fontes
- Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology
- First Aid for the USMLE Step 1
- Costanzo Physiology
- Braunwald's Heart Disease
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