PYR
Resumo
O PYR (teste da pirrolidonil arilamidase / hidrólise da L-pirrolidonil-β-naftilamida) é um teste bioquímico rápido que detecta a enzima pirrolidonil arilamidase. É positivo no Streptococcus do grupo A (S. pyogenes) e em Enterococcus, e ajuda a diferenciá-los de outros cocos gram-positivos catalase-negativos. Um teste positivo produz coloração vermelho-cereja.
Detalhes
**Nota sobre ambiguidade:** "PYR" é mais frequentemente cobrado em provas como o teste PYR (microbiologia). Em outros contextos, "PYR" pode ser abreviação de piridoxina (vitamina B6), pirimetamina ou piruvato. A explicação abaixo cobre o significado em microbiologia, seguido de breves notas sobre os demais.
**Teste PYR (microbiologia)** - Princípio: os organismos com pirrolidonil arilamidase hidrolisam o substrato L-pirrolidonil-β-naftilamida. Isso libera β-naftilamina, que reage com o reagente N,N-metilaminocinamaldeído (cinamaldeído) e produz uma cor vermelho-cereja intensa. - Organismos positivos: - Streptococcus pyogenes (Streptococcus do grupo A, GAS) - Espécies de Enterococcus (E. faecalis, E. faecium) - Organismos negativos: Streptococcus agalactiae (GBS), S. pneumoniae, estreptococos viridans e o grupo S. bovis/gallolyticus (grupo D não enterocócico).
**Onde se encaixa na investigação de cocos gram-positivos** - Catalase negativo → Streptococcus ou Enterococcus (catalase positivo sugere Staphylococcus). - Beta-hemolítico e sensível à bacitracina, PYR positivo → S. pyogenes (GAS). - Beta-hemolítico e resistente à bacitracina, CAMP positivo, hidrólise do hipurato positiva → S. agalactiae (GBS). - Enterococcus: cresce em NaCl 6,5% e em bile-esculina, e é PYR positivo. O estreptococo do grupo D não enterocócico (S. gallolyticus) cresce em bile-esculina, mas não em NaCl 6,5%, e é PYR negativo. - Staphylococcus lugdunensis também é PYR positivo. Esse é um ponto útil para diferenciá-lo de outros estafilococos coagulase-negativos, embora seja um tópico menos comum em provas.
**Significado clínico** - S. pyogenes: faringite, impetigo, erisipela, celulite, fascite necrosante, escarlatina, síndrome semelhante ao choque tóxico. As complicações pós-infecciosas são febre reumática (após faringite) e glomerulonefrite (após faringite ou infecção de pele). - Enterococcus: ITU, infecção biliar, endocardite e infecção intra-abdominal. Tem resistência intrínseca às cefalosporinas e resistência variável à vancomicina (VRE, pelo gene vanA, que altera D-Ala-D-Ala para D-Ala-D-Lac).
**Outros possíveis significados de "PYR"** - Piridoxina: vitamina B6. Sua forma ativa, o fosfato de piridoxal (PLP), é cofator na transaminação, na descarboxilação (incluindo GABA, serotonina, dopamina e a síntese do heme pela ALA sintase) e na glicogênio fosforilase. A isoniazida causa deficiência de B6, que leva a neuropatia periférica e anemia sideroblástica, por isso se administra piridoxina junto. - Pirimetamina: inibidor da di-hidrofolato redutase em protozoários. É usada com sulfadiazina para Toxoplasma gondii e pode causar anemia megaloblástica, por isso se administra leucovorina (ácido folínico). - Piruvato: produto final da glicólise. É convertido pela piruvato desidrogenase (cofatores: tiamina/B1, ácido lipoico, CoA, FAD, NAD) em acetil-CoA. A deficiência de PDH causa acidose lática e defeitos neurológicos. O tratamento é dieta cetogênica (rica em gordura, com lisina e leucina).
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1 (Microbiology: Bacteriology, Gram-positive lab algorithm)
- Sketchy Medical: Streptococci and Enterococci
- Murray PR et al. Medical Microbiology
- Pathoma / Boards & Beyond: Gram-positive cocci
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