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vírus Lassa

Microbiologia (Virologia)HematológicoImunológico/LinfáticoCardiovascularAuditivo/OtológicoReprodutivo (obstétrico)Hepático

Resumo

O vírus Lassa é um arenavírus do Velho Mundo endêmico da África Ocidental, transmitido por excretas aerossolizadas de roedores (Mastomys natalensis) ou por contato com fluidos corporais de pessoas infectadas. Causa a febre de Lassa, uma febre hemorrágica viral que varia de assintomática a doença grave, com alta mortalidade na gestação (especialmente no terceiro trimestre, com perda fetal frequente). A perda auditiva neurossensorial é uma complicação importante nos sobreviventes.

Detalhes

O vírus Lassa é um vírus de RNA de fita simples, de sentido negativo e segmentado, pertencente à família Arenaviridae (arenavírus do Velho Mundo). É endêmico da África Ocidental (Nigéria, Serra Leoa, Libéria, Guiné) e é transmitido aos humanos principalmente por inalação ou ingestão de alimentos/materiais contaminados com urina ou fezes do rato-multimamado (Mastomys natalensis), o reservatório natural. A transmissão entre humanos ocorre por contato direto com sangue, secreções ou equipamentos médicos contaminados, o que a torna uma preocupação em serviços de saúde.

Fisiopatologia: Após a entrada, o vírus tem como alvo as células apresentadoras de antígeno (macrófagos, células dendríticas) e se replica, levando a desregulação generalizada de citocinas, imunossupressão e aumento da permeabilidade vascular sem destruição significativa dos vasos (ao contrário do Ebola). Isso resulta em uma síndrome de febre hemorrágica viral.

Apresentação clínica: A maioria das infecções (~80%) é leve ou assintomática. Os casos sintomáticos cursam com febre, mal-estar, cefaleia, odinofagia e mialgias, evoluindo nos casos graves para hemorragia, derrame pleural, edema de face/pescoço, hipotensão e choque. Uma complicação característica é a perda auditiva neurossensorial, que ocorre em até 1/3 dos sobreviventes e pode ser permanente. A febre de Lassa na gestação, particularmente no terceiro trimestre, acarreta mortalidade materna e fetal muito alta (até 80% de perda fetal); o esvaziamento uterino pode melhorar a sobrevida materna.

Diagnóstico: RT-PCR para RNA viral, ELISA para detecção de antígeno/anticorpo, cultura viral (requer contenção BSL-4).

Tratamento: A ribavirina é eficaz, especialmente se administrada precocemente no curso da doença. O suporte clínico (manejo de fluidos/eletrólitos) é fundamental. Atualmente não existe vacina aprovada pela FDA, embora haja candidatas em desenvolvimento.

Relevância para provas: Diferenciar de outras febres hemorrágicas virais (Ebola, Marburg - filovírus; Crimeia-Congo, febre do Vale do Rift - bunyavírus). Principais diferenciais: associação do Lassa com reservatório roedor, perda auditiva neurossensorial como sequela e uso de ribavirina como tratamento (ao contrário de Ebola/Marburg, nos quais a ribavirina é ineficaz).

Fontes

  • Harrison's Principles of Internal Medicine, 21st ed.
  • First Aid for the USMLE Step 1, 2024 edition
  • CDC Viral Hemorrhagic Fevers - Lassa Fever fact sheet
  • Sherris Medical Microbiology, 7th ed.

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