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estreptococo do grupo A

MicrobiologiaRespiratório (vias aéreas superiores/faringe)Tegumentar (pele e partes moles)Cardiovascular (cardiopatia reumática)Renal (glomerulonefrite pós-estreptocócica)Imune/Hematológico (superantígeno, choque tóxico)Nervoso (coreia de Sydenham)Musculoesquelético (poliartrite migratória)

Resumo

GAS, mais comumente = estreptococo do grupo A (Streptococcus pyogenes), um coco gram-positivo em cadeias, beta-hemolítico, sensível à bacitracina e PYR-positivo. Causa faringite, impetigo, erisipela, celulite, fascite necrosante, escarlatina e síndrome do choque tóxico, além de sequelas pós-infecciosas (febre reumática aguda, glomerulonefrite pós-estreptocócica). Outros usos: síndrome de adaptação geral (resposta ao estresse de Selye) e ansiedade generalizada/outros contextos.

Detalhes

**1. Estreptococo do grupo A (S. pyogenes) – o significado de alto rendimento**

*Microbiologia:* Cocos gram-positivos em cadeias; catalase-negativos; beta-hemolíticos (hemólise completa em ágar-sangue); sensíveis à bacitracina; PYR-positivos; carboidrato do grupo A de Lancefield (carboidrato C). Diferenciar do grupo B (S. agalactiae): resistente à bacitracina, hipurato-positivo, CAMP-positivo.

*Fatores de virulência:* - **Proteína M** – antifagocítica; variação antigênica; base do mimetismo molecular na febre reumática (reação cruzada com miosina/tecido cardíaco). - **Cápsula de ácido hialurônico** – pouco imunogênica, antifagocítica. - **Estreptolisina O** – hemolisina lábil ao oxigênio; imunogênica → título de ASO (aumenta após faringite; não após infecção de pele). - **Estreptolisina S** – estável ao oxigênio, não imunogênica. - **Exotoxinas SpeA/SpeC (toxina pirogênica/eritrogênica)** – superantígenos (ligam-se ao MHC II e ao Vβ do TCR → liberação maciça de citocinas); causam escarlatina e síndrome do choque tóxico estreptocócico. Codificadas por bacteriófago lisogênico. - **Estreptoquinase** (fibrinólise), **DNase** (o título de anti-DNase B aumenta após infecção de pele), **hialuronidase** (disseminação), **C5a peptidase**.

*Doenças supurativas (infecção direta):* - **Faringite** – febre, exsudato tonsilar, linfadenopatia cervical anterior dolorosa, SEM tosse (critérios de Centor/McIsaac). Dx: teste rápido de antígeno/cultura de orofaringe. Tto: penicilina V ou amoxicilina (macrolídeo/cefalosporina se alergia). Nunca foi estabelecida resistência à penicilina. - **Escarlatina** – faringite + exantema eritematoso em lixa (poupando palmas/plantas), língua em framboesa, palidez perioral, linhas de Pastia, posterior descamação. - **Pele:** impetigo (crostas melicéricas), erisipela (elevada, com bordas bem demarcadas, derme superficial/linfáticos), celulite (mais profunda), **fascite necrosante (tipo II)** – dor desproporcional, disseminação rápida, crepitação menos comum; requer desbridamento cirúrgico urgente + antibióticos de amplo espectro, incluindo clindamicina (inibe a síntese de toxinas). - **Síndrome do choque tóxico estreptocócico** – choque, falência de múltiplos órgãos, frequentemente com infecção de partes moles; hemoculturas positivas são comuns (diferentemente da síndrome do choque tóxico estafilocócica).

*Sequelas não supurativas (imunomediadas):* - **Febre reumática aguda** (2–4 semanas após APENAS faringite): hipersensibilidade tipo II/mimetismo molecular. Critérios de Jones – **J**oints (poliartrite migratória), **O**(coração: cardite, valva mitral mais comum), **N**odules (nódulos subcutâneos), **E**rythema marginatum, **S**ydenham chorea (coreia de Sydenham); além de febre, VHS/PCR elevados, PR prolongado. Histologia: corpos de Aschoff com células de Anitschkow (células em lagarta). Prevenir recorrência com profilaxia com penicilina (penicilina G benzatina). Tratar a faringite previne a febre reumática aguda. - **Glomerulonefrite pós-estreptocócica** (1–3 semanas após faringite OU infecção de pele): hipersensibilidade tipo III (imunocomplexos); síndrome nefrítica, urina cor de Coca-Cola, edema periorbital, hipertensão, C3 baixo; MO: glomérulos hipercelulares; IF: IgG/C3 granular “em grumos”; ME: depósitos (humps) subepiteliais. O tratamento é de suporte; antibióticos não previnem a GNPE. As crianças geralmente se recuperam por completo. - Também: síndromes semelhantes à artrite reativa, PANDAS (controverso), gatilho de psoríase gutata, eritema nodoso.

**2. Outros significados de “GAS” em provas** - **Síndrome de adaptação geral** (Hans Selye): fases de alarme → resistência → exaustão da resposta ao estresse (ciência do comportamento/fisiologia; cortisol e catecolaminas). - **Gas** em outros contextos (p. ex., GAS = gene específico de parada de crescimento [growth arrest–specific], GAS = sequência ativada por gama [gamma-activated sequence] na sinalização JAK-STAT; “gangrena gasosa” = Clostridium perfringens – toxina alfa/lecitinase, crepitação, dupla zona de hemólise). - Não confundir com o **estreptococo do grupo B (GBS)** – sepse/meningite neonatal, prevenida com profilaxia intraparto com penicilina.

**Pérolas para a prova:** Sensível à bacitracina + beta-hemolítico = GAS. ASO ↑ → relacionado à faringite; anti-DNase B ↑ → relacionado à pele. A febre reumática segue apenas a faringite; a GNPE segue faringite ou infecção de pele. Antibióticos previnem a febre reumática, mas não a GNPE.

Fontes

  • First Aid for the USMLE Step 1 – Microbiology: Gram-positive organisms (Streptococci)
  • Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease – Rheumatic heart disease; Glomerular diseases
  • Sketchy Medical / Pathoma – Streptococcus pyogenes and post-strep sequelae
  • Murray's Medical Microbiology – Streptococcus pyogenes
  • IDSA Clinical Practice Guideline for Group A Streptococcal Pharyngitis
  • AHA/Revised Jones Criteria for Acute Rheumatic Fever

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estreptococo do grupo A: glossário médico | Medusa