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anemia microcítica

HematologiaHematológicoGastrointestinal (na deficiência de ferro)Musculoesquelético (medula óssea)

Resumo

A anemia microcítica é definida por hemoglobina baixa com volume corpuscular médio (VCM) < 80 fL, indicando hemácias pequenas. As quatro causas clássicas (mnemônico 'TAILS'): Thalassemia [talassemia], Anemia of chronic disease [anemia de doença crônica], Iron deficiency [deficiência de ferro] e Lead poisoning/Sideroblastic anemia [intoxicação por chumbo/anemia sideroblástica]. A deficiência de ferro é a causa mais comum em todo o mundo.

Detalhes

As anemias microcíticas resultam de defeitos na síntese de hemoglobina, que requer ferro, cadeias de globina e síntese do heme adequados. A produção reduzida de hemoglobina leva a eritrócitos menores que o normal, pois as células sofrem divisões extras para manter a concentração de hemoglobina.

Principais etiologias: 1. **Anemia ferropriva** - causa mais comum em todo o mundo; decorre de perda sanguínea crônica (sangramento gastrointestinal, menorragia), ingestão inadequada ou má absorção. Exames: ferritina baixa, ferro sérico baixo, TIBC alta, RDW alto, saturação de transferrina baixa. 2. **Talassemia** - defeito genético na síntese das cadeias de globina alfa ou beta. Exames: contagem de hemácias normal/alta, RDW normal, células em alvo no esfregaço; o diagnóstico requer eletroforese de hemoglobina (HbA2/HbF elevadas na beta-talassemia). 3. **Anemia de doença crônica (ADC)** - decorre de inflamação crônica (sequestro de ferro mediado pela hepcidina); pode ser normocítica ou levemente microcítica. Exames: ferro sérico baixo, TIBC baixa, ferritina elevada/normal (reagente de fase aguda). 4. **Anemia sideroblástica** - defeito na síntese do heme (p. ex., por intoxicação por chumbo, álcool, isoniazida, mielodisplasia). Exames: ferritina elevada, sideroblastos em anel na biópsia de medula óssea (mitocôndrias carregadas de ferro). 5. **Intoxicação por chumbo** - inibe a ferroquelatase e a ALA desidratase, causando anemia microcítica com pontilhado basofílico.

Abordagem diagnóstica: Começar com hemograma completo e esfregaço de sangue periférico. Dosar ferritina, avaliar o metabolismo do ferro (ferro sérico, TIBC, saturação de transferrina) e o RDW. RDW alto sugere deficiência de ferro (tamanho celular variável); RDW normal favorece talassemia (células uniformemente pequenas). Se os exames do metabolismo do ferro forem normais/altos, considerar talassemia ou anemia sideroblástica.

Significado clínico: Distinguir entre essas causas é crítico, pois a suplementação de ferro é apropriada na deficiência de ferro, mas prejudicial na talassemia ou na anemia sideroblástica (risco de sobrecarga de ferro). Identificar a causa subjacente da deficiência de ferro (p. ex., neoplasia gastrointestinal oculta) é essencial, especialmente em pacientes mais velhos.

Fontes

  • First Aid for the USMLE Step 1
  • Robbins Basic Pathology
  • Harrison's Principles of Internal Medicine
  • Pathoma - Fundamentals of Pathology

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