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enoxaparina

FarmacologiaCardiovascularHematológicoRenal

Resumo

A enoxaparina é uma heparina de baixo peso molecular (HBPM) que inibe principalmente o fator Xa por potencializar a antitrombina III. É usada na profilaxia e no tratamento de TVP/TEP e nas síndromes coronarianas agudas. Diferentemente da heparina não fracionada, apresenta farmacocinética mais previsível e não exige monitorização rotineira do TTPa.

Detalhes

A enoxaparina se liga à antitrombina III por meio de uma sequência de pentassacarídeo, acelerando muito mais a inibição do fator Xa do que da trombina (fator IIa), o que lhe confere uma razão anti-Xa:anti-IIa mais alta (~3-4:1) em comparação com a heparina não fracionada (1:1). Essa inibição seletiva do Xa proporciona uma relação dose-resposta mais previsível, permitindo dose subcutânea baseada no peso sem monitorização rotineira da coagulação (ao contrário da HNF, que exige monitorização do TTPa devido à ligação variável a proteínas/células).

Os usos clínicos incluem: profilaxia e tratamento de TVP/TEP, anticoagulação em ponte (p. ex., em torno do início ou da suspensão da varfarina para cirurgia) e terapia adjuvante na SCA (IAMSSST/IAMCSST) e durante a ICP.

Farmacocinética: é administrada por via subcutânea, tem meia-vida mais longa que a HNF, permitindo dose uma ou duas vezes ao dia, e é eliminada por via renal, exigindo ajuste de dose na insuficiência renal (ClCr <30 mL/min) devido ao risco de acúmulo e sangramento.

Monitorização: a monitorização rotineira não é necessária, mas os níveis de anti-Xa podem ser dosados em populações especiais (insuficiência renal, obesidade, gestação).

Efeitos adversos: o sangramento é o principal risco. A trombocitopenia induzida por heparina (TIH) pode ocorrer, mas é menos comum do que com a HNF devido à menor afinidade pelo fator plaquetário 4. A enoxaparina também pode causar hiperpotassemia (por supressão da aldosterona) e osteoporose com o uso prolongado.

Reversão: o sulfato de protamina reverte parcialmente o efeito anticoagulante da enoxaparina (neutraliza apenas ~60% da atividade anti-Xa, sendo mais eficaz contra a atividade anti-IIa), em comparação com a reversão completa da HNF.

Contraindicações/cautelas: sangramento maior ativo, insuficiência renal grave (reduzir a dose), história de TIH (possível reatividade cruzada), anestesia neuroaxial (risco de hematoma espinhal/peridural; o momento da administração deve ser cuidadosamente planejado).

Ponto-chave para provas: HBPM vs. HNF: a HBPM tem dosagem mais previsível, meia-vida mais longa e menor risco de TIH, mas a reversão é incompleta e requer ajuste de dose na doença renal; a HNF é preferida na insuficiência renal, quando pode ser necessária reversão rápida ou em pacientes que exigem titulação precisa (p. ex., cirurgia cardíaca, diálise).

Fontes

  • Katzung's Basic and Clinical Pharmacology
  • First Aid for the USMLE Step 1
  • UpToDate: Heparin and LMWH dosing
  • Goodman & Gilman's The Pharmacological Basis of Therapeutics

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