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hipersensibilidade tipo III

ImunologiaSistema imuneRenalMusculoesquelético (articulações)PeleSistema vascular

Resumo

A hipersensibilidade tipo III é uma reação mediada por imunocomplexos, na qual complexos antígeno-anticorpo (tipicamente IgG ou IgM) se depositam nos tecidos, ativam o complemento e recrutam neutrófilos, causando lesão tecidual local. Exemplos clássicos incluem doença do soro, reação de Arthus, glomerulonefrite pós-estreptocócica e lúpus eritematoso sistêmico (LES).

Detalhes

Fisiopatologia: Anticorpos (IgG/IgM) se ligam a antígenos solúveis formando imunocomplexos que circulam e se depositam nas paredes vasculares, articulações, pele e glomérulos (especialmente em áreas de alto fluxo sanguíneo/turbulência, como os glomérulos renais). Os complexos depositados ativam a cascata do complemento (C3a, C5a), gerando anafilatoxinas que recrutam neutrófilos. Os neutrófilos liberam enzimas lisossomais e espécies reativas de oxigênio, causando lesão tecidual; por isso a reação costuma ser chamada de reação de 'espectador inocente' (innocent bystander), já que o dano se deve a mediadores inflamatórios e não à citotoxicidade direta.

Tempo de evolução: As reações costumam se desenvolver 1-3 semanas após a exposição ao antígeno (tempo necessário para a produção de anticorpos e a formação dos imunocomplexos), o que a diferencia da hipersensibilidade tipo I (imediata) e da tipo IV (tardia, 48-72 h).

Principais exemplos clínicos: - Doença do soro: Protótipo clássico, ocorre após exposição a proteínas estranhas (p. ex., antiveneno, alguns fármacos como penicilina). Manifesta-se com febre, urticária, artralgia e linfadenopatia 1-2 semanas após a exposição. - Reação de Arthus: Vasculite localizada por imunocomplexos após injeção repetida de antígeno (p. ex., dose de reforço de vacina), causando edema e necrose localizados. - LES: Imunocomplexos (anti-dsDNA, anti-Smith) se depositam em múltiplos órgãos, incluindo rins (nefrite lúpica), pele e articulações. - Glomerulonefrite pós-estreptocócica: Imunocomplexos se depositam na membrana basal glomerular após infecção estreptocócica, causando hematúria, hipertensão e edema. - Poliarterite nodosa: Associada a imunocomplexos com HBV. - Artrite reumatoide: O fator reumatoide (anticorpo anti-IgG) forma imunocomplexos que se depositam nas articulações.

Achados laboratoriais: Níveis baixos de complemento (C3, C4) por consumo; é possível detectar imunocomplexos circulantes; a biópsia renal pode mostrar padrão granular de imunofluorescência ("lumpy-bumpy") pela deposição de imunocomplexos, em contraste com o padrão linear observado no tipo II (doença anti-MBG).

Distinção de alto rendimento: Diferentemente da hipersensibilidade tipo II, em que os anticorpos têm como alvo antígenos fixos em superfícies celulares, no tipo III os complexos antígeno-anticorpo se formam na circulação (ou in situ) e depois se depositam nos tecidos, desencadeando inflamação mediada pelo complemento.

Fontes

  • First Aid for the USMLE Step 1
  • Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease
  • Kaplan USMLE Immunology Lecture Notes

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