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lisogenia

MicrobiologiaN/A (genética bacteriana/viral)Gastrointestinal (toxina Shiga, toxina colérica)Respiratório (toxina diftérica)Nervoso (toxina botulínica)Tegumentar (escarlatina)

Resumo

A lisogenia é o ciclo de vida do bacteriófago em que o DNA do fago se integra ao cromossomo da bactéria hospedeira como um prófago e é replicado passivamente com o hospedeiro, sem lisar a célula. A indução (p. ex., pela resposta SOS/radiação UV) pode levá-lo ao ciclo lítico. É clinicamente importante porque os prófagos codificam toxinas em vários patógenos (conversão lisogênica).

Detalhes

**Definição:** A lisogenia (ciclo lisogênico) é um ciclo de vida de bacteriófago temperado em que o genoma viral se integra ao cromossomo bacteriano (ou persiste como um elemento semelhante a um plasmídeo) como um **prófago**. A célula hospedeira, agora um "lisógeno", sobrevive e replica o prófago junto com o próprio DNA. O prófago é transmitido verticalmente às células-filhas.

**Mecanismo (modelo do fago lambda):** - O fago se liga, injeta o DNA, que se circulariza. - O **repressor cI** é expresso e bloqueia a transcrição dos genes líticos. Também confere imunidade à superinfecção pelo mesmo fago. - A integrase (Int) medeia a recombinação sítio-específica nos sítios de ligação (attP/attB), integrando o genoma. - **Indução:** O dano ao DNA (UV, mitomicina C) ativa a resposta SOS, na qual a autoproteólise mediada por RecA cliva o repressor. O prófago é excisado (integrase mais excisionase) e o ciclo lítico começa, terminando em lise celular e liberação de fagos descendentes.

**Lítico vs lisogênico:** - Lítico (fagos virulentos): o fago assume o controle da célula, produz descendentes e lisa a célula. - Lisogênico (fagos temperados): o genoma está integrado e dormente, sem lise celular até a indução.

**Conversão lisogênica (do fago):** Os genes do prófago podem alterar o fenótipo da bactéria hospedeira. Este é um tópico de alto rendimento no Step 1. As toxinas codificadas por prófagos incluem: - **Corynebacterium diphtheriae**: toxina diftérica (β-prófago), que inativa o EF-2. - **Clostridium botulinum**: toxina botulínica (tipos C e D). - **Vibrio cholerae**: toxina colérica (CTXφ, um fago filamentoso que se integra). - **Streptococcus pyogenes**: toxina eritrogênica (exotoxina pirogênica), que causa escarlatina. - **Toxina Shiga** da EHEC (STEC), codificada por um fago lambdoide. - **Staphylococcus aureus**: leucocidina de Panton-Valentine e toxina da síndrome do choque tóxico (TSST-1) em uma ilha de patogenicidade, que é mobilizada por fagos.

Mnemônico: **"ABCDE"** para toxinas codificadas por fagos: **A**-B toxina Shiga (e semelhantes à Shiga), **B**otulinum, **C**holera, **D**iphtheria, **E**rythrogenic toxin de *S. pyogenes*.

**Relação com a transdução:** - A **transdução especializada** resulta da excisão imprecisa de um fago lisogênico. Ela carrega genes bacterianos adjacentes (p. ex., gal ou bio para o lambda) e é restrita a genes próximos ao sítio de integração. - A **transdução generalizada** ocorre no ciclo lítico, quando um erro de empacotamento coloca DNA aleatório do hospedeiro na cabeça do fago.

**Importância clínica:** Os genes de virulência carregados por prófagos explicam por que apenas cepas toxigênicas de algumas bactérias causam doença (p. ex., *C. diphtheriae* não toxigênica é inofensiva). A terapia com fagos geralmente usa fagos estritamente líticos, pois fagos temperados podem transferir genes de virulência ou de resistência. Alguns antibióticos (p. ex., fluoroquinolonas) podem desencadear a resposta SOS e a indução de fagos, o que pode aumentar a liberação de toxina Shiga na EHEC. Esse é um dos motivos pelos quais se evitam antibióticos na infecção por EHEC (risco de SHU).

**Observação:** A integração proviral de retrovírus (HIV) é conceitualmente análoga, mas não é chamada de lisogenia.

Fontes

  • First Aid for the USMLE Step 1 (Microbiology: Bacterial genetics, transduction, toxins)
  • Sketchy Medical – Microbiology (Bacterial Genetics)
  • Murray: Medical Microbiology
  • Brooks: Jawetz, Melnick & Adelberg's Medical Microbiology
  • Levinson: Review of Medical Microbiology and Immunology

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