síndrome de Dressler
Resumo
A síndrome de Dressler é uma pericardite de mediação autoimune que ocorre semanas a meses (tipicamente 2 a 10 semanas) após IAM, cirurgia cardíaca ou trauma cardíaco. Manifesta-se com febre, dor torácica pleurítica e atrito pericárdico, e é causada por uma resposta imune contra antígenos miocárdicos/pericárdicos lesados. O tratamento envolve AINEs/ácido acetilsalicílico e colchicina; os corticosteroides são reservados para casos refratários.
Detalhes
A síndrome de Dressler é uma forma tardia de pericardite, considerada resultado de uma reação autoimune contra neoantígenos cardíacos expostos durante a necrose miocárdica (pós-IAM) ou a lesão pericárdica (pós-cardiotomia). Diferentemente da pericardite fibrinosa precoce que ocorre dentro de dias após um IAM transmural (por extensão inflamatória direta), a síndrome de Dressler se desenvolve semanas a meses depois, refletindo uma resposta imune semelhante a hipersensibilidade do tipo III/IV, com anticorpos anti-miocárdicos. Clinicamente, os pacientes apresentam febre, mal-estar, dor torácica pleurítica que melhora ao se inclinar para a frente na posição sentada e atrito pericárdico à ausculta. O ECG pode mostrar supradesnivelamento difuso do segmento ST e infradesnivelamento do segmento PR; a ecocardiografia pode revelar derrame pericárdico. Os exames laboratoriais frequentemente mostram VHS/PCR elevados e leucocitose. Se não tratada, pode levar a complicações como derrame pericárdico, tamponamento cardíaco ou pericardite constritiva. O diagnóstico é predominantemente clínico, apoiado pela história de lesão cardíaca recente, pelos achados característicos do exame físico e por exames de imagem. O tratamento é semelhante ao de outras pericardites: AINEs (p. ex., ácido acetilsalicílico, preferido no pós-IAM para evitar prejuízo à cicatrização do infarto) associados à colchicina para reduzir a recorrência; os corticosteroides são usados em casos refratários ou graves, mas evitados no período precoce pós-IAM pelo risco de prejuízo à cicatrização miocárdica. É importante diferenciar a síndrome de Dressler da pericardite precoce pós-IAM (ocorre em 1 a 3 dias, por inflamação direta) e de reinfarto ou embolia pulmonar, que também podem causar dor torácica nessa população.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease
- UpToDate: Postcardiac injury syndrome
Material de estudo, não aconselhamento médico. Encontrou um erro? Use “Reportar” no complemento ou fale conosco.