acetona
Resumo
A acetona é o corpo cetônico mais simples (3 carbonos), formado por descarboxilação espontânea do acetoacetato durante a cetose (CAD, jejum prolongado, cetoacidose alcoólica). É volátil e causa o odor "frutado" do hálito na CAD; NÃO é detectada pela principal reatividade do teste do nitroprussiato (que detecta acetoacetato e, fracamente, acetona), e não é um ácido, portanto não contribui para o anion gap.
Detalhes
**Bioquímica / Fisiopatologia** - Corpos cetônicos: acetoacetato, β-hidroxibutirato (BHB) e acetona. - A cetogênese ocorre nas mitocôndrias hepáticas quando a acetil-CoA da β-oxidação excede a capacidade do ciclo de Krebs (insulina baixa/glucagon alto, oxaloacetato baixo desviado para a gliconeogênese). Via: 2 acetil-CoA → acetoacetil-CoA → HMG-CoA (HMG-CoA sintase, etapa limitante) → acetoacetato (HMG-CoA liase). - Acetoacetato → BHB (via BHB desidrogenase, dependente de NADH; favorecida quando NADH/NAD+ é alto, p. ex., na cetoacidose alcoólica) ou → acetona (descarboxilação espontânea, não enzimática). - A acetona não é usada como fonte de energia pelos tecidos; é exalada pelos pulmões e excretada na urina. Isso confere o odor característico de hálito frutado/adocicado. - Acetoacetato e BHB são ácidos (causam a acidose metabólica com anion gap elevado); a acetona é uma cetona neutra e não contribui para a acidose.
**Importância clínica** - Cetoacidose diabética (CAD): respiração de Kussmaul, hálito frutado, dor abdominal, hiperglicemia, acidose metabólica com anion gap elevado, bicarbonato baixo, hiperpotassemia (K+ corporal total depletado). Tratar com fluidos IV, insulina e reposição de potássio (o K+ deve ser verificado antes da insulina). - Outras causas de cetose: jejum prolongado/inanição, cetoacidose alcoólica (NADH alto → principalmente BHB), dietas pobres em carboidratos/cetogênicas, CAD euglicêmica por inibidores de SGLT2 e gestação/vômitos. - Pérola sobre exames: os testes de nitroprussiato na urina detectam acetoacetato (fortemente) e acetona (fracamente), mas NÃO o BHB. Na CAD, o BHB predomina (~3:1 a 10:1 em relação ao acetoacetato), então as cetonas urinárias podem subestimar a gravidade. No início do tratamento, o BHB é convertido em acetoacetato, de modo que as cetonas urinárias podem paradoxalmente parecer piores enquanto o paciente melhora. O BHB sérico é o exame preferido para o monitoramento. - A acetona também é um solvente tóxico (removedor de esmalte). A exposição causa depressão do SNC, irritação de mucosas e cetose sem acidose. O álcool isopropílico é metabolizado pela álcool desidrogenase em acetona, de modo que a ingestão de isopropanol causa cetose (acetona no hálito/urina) SEM acidose nem cetoacidose baseada em hipoglicemia, com gap osmolar elevado, depressão do SNC e gastrite/gastrite hemorrágica.
**Associações de alto rendimento** - Hálito frutado = acetona (CAD). - Cetonas na urina sem acidose nem glicose alta → pensar em ingestão de álcool isopropílico. - O fígado não consegue usar corpos cetônicos (não tem tioforase/succinil-CoA:acetoacetato CoA transferase); as hemácias não conseguem usá-los (não têm mitocôndrias). O cérebro se adapta ao uso de corpos cetônicos durante o jejum prolongado. - Os ácidos graxos não podem ser convertidos em glicose, mas o glicerol pode.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1 (Biochemistry: Metabolism – Ketone bodies; Endocrine – DKA)
- Lippincott Illustrated Reviews: Biochemistry (Ketone body metabolism)
- Harrison's Principles of Internal Medicine (Diabetic ketoacidosis; Toxic alcohols)
- UWorld Step 1/Step 2 CK Question Bank
- Pathoma / Boards and Beyond (Ketogenesis & DKA)
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