ATR tipo 1
Resumo
A acidose tubular renal (ATR) tipo 1 (distal) é causada pela falha das células intercaladas alfa do túbulo distal em secretar H+, levando à incapacidade de acidificar a urina. Resulta em acidose metabólica com ânion gap normal (hiperclorêmica), com pH urinário persistentemente >5,5, associada a hipocalemia e maior risco de nefrolitíase/nefrocalcinose.
Detalhes
Fisiopatologia: As células intercaladas alfa do néfron distal normalmente secretam H+ para o lúmen tubular por meio das bombas H+-ATPase e H+/K+-ATPase, o que é essencial para gerar uma urina maximamente ácida e excretar a carga ácida fixa diária. Na ATR tipo 1, essa secreção de H+ está comprometida por um defeito na bomba H+-ATPase, por retrodifusão dos íons H+ secretados ou por redução da permeabilidade da membrana luminal. Isso prejudica a excreção tanto de acidez titulável quanto de amônio, causando acidose metabólica sistêmica, enquanto o pH urinário permanece inadequadamente alto (>5,5) mesmo na vigência de acidemia.
A hipocalemia ocorre porque a secreção prejudicada de H+ leva a um aumento compensatório da reabsorção de Na+ via ENaC, o que impulsiona a secreção de K+; além disso, a própria acidose favorece a perda urinária de K+. Esta é uma característica-chave que a distingue da ATR tipo 4 (hipercalêmica).
Nefrocalcinose e nefrolitíase (cálculos de fosfato de cálcio) são complicações comuns, pois a acidose crônica aumenta a reabsorção óssea mineral, liberando cálcio e fosfato, e o baixo citrato urinário (o citrato é reabsorvido para tamponar a acidose) reduz seu papel normal como inibidor de cálculos, enquanto a urina alcalina favorece a precipitação de fosfato de cálcio.
Etiologias: - Doenças autoimunes (síndrome de Sjögren, LES, artrite reumatoide) - Mutações genéticas (defeito autossômico dominante do trocador de ânions SLC4A1; defeitos autossômicos recessivos de ATP6V1B1/ATP6V0A4 associados a surdez neurossensorial) - Toxicidade por anfotericina B (aumenta a permeabilidade da membrana, causando retrodifusão de H+) - Uropatia obstrutiva - Estados de hipercalciúria
Apresentação clínica: Déficit de crescimento em crianças, acidose metabólica crônica, hipocalemia (fraqueza muscular), doença óssea (raquitismo/osteomalácia decorrente do tamponamento ósseo induzido pela acidose crônica) e cálculos renais/nefrocalcinose recorrentes.
Diagnóstico: Confirmado pelo teste de sobrecarga com cloreto de amônio (incapacidade de acidificar a urina abaixo de pH 5,5 apesar da acidose sistêmica) em casos duvidosos. O ânion gap urinário é positivo (indicando excreção prejudicada de amônio), diferenciando-a das causas gastrointestinais de acidose sem ânion gap aumentado (que têm ânion gap urinário negativo).
Tratamento: Terapia alcalinizante oral (bicarbonato de sódio ou citrato de potássio) para corrigir a acidose, repor potássio e reduzir a formação de cálculos/doença óssea por meio do fornecimento de citrato.
Comparação com outras ATR: A ATR tipo 2 (proximal) envolve reabsorção defeituosa de HCO3- no túbulo proximal, frequentemente com síndrome de Fanconi; a ATR tipo 4 envolve hipoaldosteronismo ou resistência à aldosterona, causando hipercalemia em vez de hipocalemia.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Harrison's Principles of Internal Medicine
- UpToDate: Causes and diagnosis of distal (type 1) renal tubular acidosis
- Costanzo Physiology
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