coccidioidomicose
Resumo
A coccidioidomicose ("febre do Vale", Valley Fever) é uma infecção fúngica causada por Coccidioides immitis/posadasii, endêmica no sudoeste dos EUA (Vale de San Joaquin, Arizona) e na América Central/do Sul. É adquirida pela inalação de artroconídios do solo remexido, causando principalmente doença pulmonar, frequentemente autolimitada, mas que pode disseminar em hospedeiros imunocomprometidos. As associações clássicas em provas incluem viagem a regiões desérticas, eritema nodoso ("desert bump"/reumatismo do deserto) e esférulas na histopatologia.
Detalhes
A coccidioidomicose é causada pelo fungo dimórfico Coccidioides immitis ou C. posadasii, encontrado no solo de regiões áridas (Vale de San Joaquin, na Califórnia, Arizona, partes do México, América Central/do Sul). A infecção ocorre por inalação de artroconídios, especialmente após remoção do solo (construção, tempestades de poeira, terremotos). Nos pulmões, os artroconídios se transformam em esférulas (a forma tecidual), que se rompem liberando endósporos que formam novas esférulas — este é o achado histológico diagnóstico.
A maioria das infecções (60%) é assintomática ou leve. A coccidioidomicose pulmonar primária sintomática manifesta-se com febre, tosse, dor torácica e fadiga, às vezes com eritema nodoso ou eritema multiforme e artralgias (classicamente chamado de "reumatismo do deserto", desert rheumatism). Os exames de imagem do tórax podem mostrar infiltrados, adenopatia hilar ou nódulos; alguns pacientes desenvolvem nódulos pulmonares residuais ou cavidades de paredes finas.
A disseminação ocorre em <1% dos casos, mas é mais comum em pacientes imunocomprometidos (HIV/aids, transplantados, usuários de inibidores do TNF-alfa), gestantes (especialmente no terceiro trimestre) e certos grupos étnicos (filipinos, afro-americanos) devido à suscetibilidade genética. A doença disseminada pode acometer pele (placas verrucosas, úlceras), ossos/articulações (osteomielite) e meninges (meningite coccidioidal, que frequentemente é fatal sem tratamento e exige fluconazol por toda a vida).
Diagnóstico: visualização direta de esférulas em preparado com KOH, histopatologia (H&E, colorações pela prata) ou cultura (exige precauções de nível de biossegurança 3 [BSL-3] devido à infectividade da fase de mofo). A sorologia (EIA, imunodifusão, fixação de complemento) é útil para diagnóstico e acompanhamento; títulos crescentes de fixação de complemento sugerem disseminação. Os testes cutâneos com coccidioidina/esferulina indicam exposição pregressa, mas não são diagnósticos de infecção ativa.
Tratamento: a doença pulmonar leve frequentemente não requer terapia antifúngica (é autolimitada). Antifúngicos (fluconazol ou itraconazol) são indicados na doença pulmonar grave, em pacientes imunocomprometidos, na gestação ou na doença disseminada. A anfotericina B é usada na doença grave/com risco de vida. A meningite coccidioidal requer fluconazol em altas doses, muitas vezes por toda a vida.
Pontos de alto rendimento para provas: pense em Coccidioides em paciente com pneumonia + eritema nodoso + viagem recente ao sudoeste dos EUA/Califórnia; esférulas contendo endósporos na patologia; maior risco de disseminação em pacientes filipinos/negros e em gestantes (3º trimestre); sinônimo: febre do Vale de San Joaquin.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Harrison's Principles of Internal Medicine
- CDC Coccidioidomycosis (Valley Fever) Clinical Overview
- UpToDate: Coccidioidomycosis: Clinical manifestations and diagnosis
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