esporozoítos
Resumo
Os esporozoítos são a forma esporozoária infectante e móvel de parasitas como as espécies de Plasmodium, inoculados no hospedeiro humano pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. Eles percorrem a corrente sanguínea até o fígado, onde invadem os hepatócitos para iniciar a fase exoeritrocítica (hepática) da infecção. Essa fase é um alvo fundamental dos antimaláricos usados na profilaxia causal.
Detalhes
Os esporozoítos são produzidos por esporogonia (reprodução sexuada seguida de esporulação) na parede do intestino do mosquito vetor, formando oocistos na face externa do intestino médio do mosquito. Com a ruptura do oocisto, os esporozoítos migram para as glândulas salivares do mosquito, de onde são inoculados no hospedeiro humano durante o repasto sanguíneo. Uma vez na corrente sanguínea, os esporozoítos invadem rapidamente (em cerca de 30 minutos) os hepatócitos, onde sofrem replicação assexuada (esquizogonia) e formam esquizontes teciduais contendo milhares de merozoítos; esse é o ciclo exoeritrocítico (pré-eritrocítico). No Plasmodium vivax e no P. ovale, alguns esporozoítos podem se tornar hipnozoítos dormentes no fígado, causando malária com recaídas meses a anos depois; isso não ocorre com P. falciparum nem com P. malariae. Clinicamente, os esporozoítos são assintomáticos durante a fase hepática (período de incubação), e os sintomas só se manifestam quando os merozoítos são liberados na corrente sanguínea e invadem as hemácias (ciclo eritrocítico), causando as clássicas febres cíclicas, calafrios e anemia hemolítica. Fármacos como primaquina e tafenoquina atuam sobre os hipnozoítos hepáticos (cura radical), enquanto atovaquona-proguanil e primaquina também têm atividade profilática causal contra os parasitas em desenvolvimento na fase hepática. O diagnóstico de malária por esfregaço sanguíneo identifica as formas eritrocíticas (trofozoítos, esquizontes, gametócitos), e não os esporozoítos, pois estes são transitórios e não são encontrados no sangue periférico. Outros parasitas apicomplexos (p. ex., Toxoplasma gondii, Cryptosporidium) também produzem esporozoítos dentro de oocistos como parte de seus ciclos de vida, o que é relevante para a transmissão fecal-oral e para infecções em pacientes imunocomprometidos.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Harrison's Principles of Internal Medicine
- CDC DPDx - Malaria Biology
- Murray's Medical Microbiology
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