Pular para o conteúdo

transtorno dissociativo de identidade

PsiquiatriaSistema nervosoPsiquiátrico/Comportamental

Resumo

O transtorno dissociativo de identidade (TDI) é um transtorno dissociativo caracterizado por dois ou mais estados de personalidade distintos (identidades) que assumem repetidamente o controle do comportamento, com lacunas na lembrança de eventos cotidianos, de informações pessoais importantes e/ou de traumas, que excedem o esquecimento comum. Está fortemente associado a traumas infantis graves e repetidos (abuso físico/sexual, negligência). O tratamento é psicoterapia de longo prazo; nenhum medicamento trata o TDI em si, apenas os sintomas comórbidos.

Detalhes

**Definição (DSM-5-TR):** - Perturbação da identidade com dois ou mais estados de personalidade distintos (que em algumas culturas podem ser descritos como possessão), envolvendo descontinuidade acentuada do senso de self e de agência, com alterações de afeto, comportamento, consciência, memória, percepção, cognição e/ou função sensório-motora. - Lacunas recorrentes na lembrança de eventos cotidianos, de informações pessoais importantes e/ou de eventos traumáticos, incompatíveis com o esquecimento comum. - Causa sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo. - Não faz parte normal de uma prática cultural ou religiosa ampla (p. ex., em crianças, não é mais bem explicado por amigos imaginários). - Não se deve a substâncias (p. ex., apagões, comportamento caótico na intoxicação alcoólica) nem a outra condição médica (p. ex., crises parciais complexas).

**Fisiopatologia/Etiologia:** - Fortemente ligado a trauma infantil grave e crônico (abuso sexual/físico, negligência) antes dos 6-9 anos, aproximadamente, quando o senso de self coeso ainda está em desenvolvimento. - Acredita-se que a dissociação seja um mecanismo de defesa/estratégia de enfrentamento para compartimentalizar experiências avassaladoras. - Achados neurobiológicos (p. ex., alterações dos volumes do hipocampo/amígdala, desregulação frontolímbica) são sugestivos, mas não diagnósticos.

**Epidemiologia:** - Predomínio feminino em amostras clínicas; prevalência de cerca de 1-1,5% em amostras comunitárias. - Frequentemente diagnosticado no início da vida adulta, mas com atraso de anos; os pacientes comumente se apresentam com outras queixas.

**Quadro clínico:** - "Alters" de identidade com nomes, idades, gêneros, maneirismos e memórias diferentes. A identidade hospedeira/primária muitas vezes não tem consciência das outras. - Amnésia (a amnésia dissociativa é a característica central), episódios de fuga, despersonalização/desrealização. - Ouvir vozes (geralmente internas e vivenciadas como provenientes dos alters, não psicose verdadeira). - Comorbidades frequentes: TEPT, depressão, ansiedade, uso de substâncias, transtorno de personalidade borderline, sintomas somáticos, autolesão e alto risco de suicídio (cerca de 70% tentam).

**Diagnóstico diferencial (alto rendimento):** - Amnésia dissociativa: apenas perda de memória, sem fragmentação da identidade. A fuga dissociativa é um especificador dela (viagem com propósito, com amnésia e possível nova identidade). - Transtorno de despersonalização/desrealização: distanciamento de si ou do ambiente com teste de realidade preservado e sem alters de identidade. - Esquizofrenia: alucinações/delírios mais sintomas negativos, e sem identidades alternantes. As vozes são externas. - Transtorno de personalidade borderline: identidade e afeto instáveis, mas sem estados distintos com amnésia. - Simulação/transtorno factício, transtornos convulsivos (epilepsia do lobo temporal), estados induzidos por substâncias e TEPT.

**Manejo:** - Psicoterapia de longo prazo focada no trauma é a primeira linha, com abordagem orientada por fases: (1) segurança e estabilização, (2) processamento do trauma, (3) integração/reabilitação. - TCC, TCD e EMDR são usadas como adjuvantes. - Não há medicamento aprovado pela FDA para o TDI; tratar depressão, ansiedade ou TEPT comórbidos (p. ex., ISRS; prazosina para pesadelos). - A hipnose pode ser usada com cautela devido ao risco de falsas memórias.

**Pérolas para a prova:** - Vinheta clássica: paciente com história de abuso na infância que tem períodos de tempo perdidos sem explicação, encontra objetos desconhecidos, é chamado por nomes diferentes por outras pessoas e tem múltiplas personalidades distintas. - Não confundir com esquizofrenia ("personalidade dividida" é um termo inadequado para a esquizofrenia, que significa uma divisão da realidade). - Dissociação é questão de defesa madura versus imatura: é classificada como mecanismo de defesa imaturo. - Transtornos dissociativos como grupo: TDI, amnésia dissociativa, transtorno de despersonalização/desrealização.

Fontes

  • DSM-5-TR (American Psychiatric Association, 2022)
  • First Aid for the USMLE Step 1 – Psychiatry: Dissociative Disorders
  • Kaplan & Sadock's Synopsis of Psychiatry
  • UWorld Step 1/Step 2 CK – Psychiatry
  • Pathoma/Sketchy Medical – Psychiatry: Dissociative Disorders
  • ISSTD Guidelines for Treating Dissociative Identity Disorder in Adults (3rd Revision, 2011)

Material de estudo, não aconselhamento médico. Encontrou um erro? Use “Reportar” no complemento ou fale conosco.

transtorno dissociativo de identidade: glossário médico | Medusa