útero septado
Resumo
O útero septado é a anomalia mais comum dos ductos müllerianos, causada pela falha de reabsorção do septo fibroso/muscular que se forma após a fusão dos dois ductos müllerianos. Apresenta contorno uterino externo normal, mas com um septo fibroso dividindo a cavidade uterina, levando a perdas gestacionais recorrentes no primeiro trimestre e infertilidade.
Detalhes
Durante a embriogênese, os ductos müllerianos (paramesonéfricos) pareados se fundem na linha média para formar o útero, o colo do útero e a parte superior da vagina. Normalmente, o septo medial entre os ductos fundidos é completamente reabsorvido até o final do primeiro trimestre. A falha desse processo de reabsorção resulta em um útero septado, no qual persiste um septo fibroso ou fibromuscular, que divide parcial ou completamente a cavidade endometrial, enquanto o contorno externo do fundo uterino permanece normal (convexo ou com indentação mínima, <1 cm), o que o distingue do útero bicorno (que tem contorno externo do fundo anormal devido à falha de fusão, e não à falha de reabsorção).
Importância clínica: O septo é composto de tecido fibroso pouco vascularizado, que oferece um ambiente desfavorável para a implantação e a placentação, levando à maior taxa de perda gestacional (especialmente abortamento no primeiro trimestre) entre todas as anomalias müllerianas. Também está associado a infertilidade, apresentação fetal anômala e trabalho de parto pré-termo. Diferentemente de outras anomalias müllerianas, o útero septado é passível de correção cirúrgica.
Diagnóstico: A melhor forma de distingui-lo do útero bicorno é por ultrassonografia transvaginal 3D, ressonância magnética ou histerossalpingografia combinada com laparoscopia para avaliar o contorno externo do fundo uterino. A histeroscopia isolada mostra o septo intracavitário, mas não consegue avaliar o contorno externo.
Tratamento: A ressecção histeroscópica do septo (metroplastia) é o tratamento de escolha, melhorando significativamente os desfechos reprodutivos, diferentemente do útero bicorno, que requer correção cirúrgica mais invasiva (metroplastia de Strassman) apenas em casos selecionados.
Associações: As anomalias müllerianas podem coexistir com anomalias renais (p. ex., agenesia renal unilateral), pois os ductos mülleriano e mesonéfrico (de Wolff) se desenvolvem em estreita associação durante a embriogênese.
Fontes
- First Aid for the USMLE Step 1
- Williams Obstetrics, 25th ed.
- UpToDate: Congenital uterine anomalies: Clinical manifestations and diagnosis
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) Practice Bulletins
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